
Cresci a acreditar que a vida era um mar de rosas. Que não havia nada melhor no Mundo do que sorrir e sonhar. Quem me conhecia quando eu era pequena diz que eu era uma sonhadora alegre, que tinha alegria para dar e vender. Nessa altura fazia as coisas, porque me apetecia fazer, nunca pensava nas consequências dos meus actos, pois sabia que as pessoas que me rodeavam não me iam deixar sofrer. Mas um dia a vida deu-me uma bofetada de luva branca e eu mudei. Aprendi que mais tarde ou mais cedo a vida nos muda, não sei se para melhor ou para pior, mas muda.
Naquela quinta-feira descobri que as rosas têm espinhos e que por muito que as pessoas nos amem não nos podem empedir de sofrer, nem sequer sofrer por nós.
Há sete anos atrás tive que crescer á força toda. Tive que aprender a lutar contra tudo e todos, mesmo sabendo, á partida, que o adversário é mais forte do que eu e que ai acabar por me derrotar. A pessoa que eu mais amei em toda a minha vida ensinou-me isso. A enfrentar os meus medos, a acreditar em mim e por muito que me custe a enfrentar os obstáculos da vida com um sorriso nos lábios e não como um castigo, por algo que não fiz.
No dia 17 de Fevereiro de 2003 nasceu a Cristina. A pessoa em que a vida me transformou. Nesse dia começei a ter medo das coisas, deixei de sonhar e desaprendi de sorrir. Só tinha um único desejo que me fazia viver. Entrar na faculdade, não por mim, mas por ela. Já que tinha perdido a oportunidade de lhe dizer o quanto a amava, o orgulho que tinha nela, a falta que me faz....
Foram quatro anos a sonhar com aquele dia, com o dia em que finalmente podia sair daquele lugar, porque fosse para onde fosse via-a, procurava-a, dava por mim a chamar por ela da minha janela....Mas, como eu digo, nada na vida acontece por acaso, e mais uma vez a vida ensinou-me que não vale apena fugir das coisas, por mais que tente não consigo fugir.
No dia 18 de Setembro de 2007, cá em Bragança, conheci a pessoa que me ensimou novamente a viver e que me fez ver que não vale apena viver no passado, o que aconteceu não podemos mudar, mas podemos mudar o nosso presente. Ensinou-me a aceitar a vida tal como ela é e a aproveitá-la ao máximo não pelos outros, mas por mim.
Hoje, 1 de Julho de 2008 posso dizer que a vida me mudou novamente. E que sou a pessoa mais feliz do Mundo, por ter reaprendido a viver e por me fazer ver que tenho que viver a minha vida e não a vida das outras pessoas....
Por isso, por muito que a vida nos diga não, não podemos desistir, por desistir e deixar de viver. Temos que acreditar que a vida é sempre um mar de rosas, não temos que chorar por as rosas terem espinhos, mas sim sorrir por os espinhos terem rosas.
Cláudia Marinho

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